Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

- "Deliciosa Miss Dahl"


A cozinhar, Miss Dahl é uma deusa do olimpo de pantagruel, se é que as deusas cozinham. Eu acredito que sim, já que ela é uma deusa, cozinha e fá-lo olimpicamente.
Gosto de tudo nela! Gosto da sua altura e da opulência sinuosa das suas formas; da sua beleza renascentista de madona italiana, embora ela seja uma genuína "rosa inglesa" suave, branca, apurada e loura; da delicadeza, concentrada e elegante, dos gestos; da sua inteligência feliz brincando e brilhando no seu olhar e das palavras intercaladas por pequeníssimas risadas aconchegantes; do refinamento da sua roupa vintage que ondula perfeitamente nela, com ela e por ela. E gosto, ainda e muito, que goste de bons livros e de poetas e que os misture, sem pretensiosismo e num equílibrio de balança de fabricante suíço, com o seu dionisíaco sentido da comida. É aqui que convoco a extraordinariamente expressiva Natália, que escreveu e disse que a poesia é para comer.
Gosto de tudo nela excepto dos trejeitos quase infantis e dos olhares enviesados para as câmaras a pedir aconchego, colo e, talvez, cama.  Gosto de tudo nela, mas dispenso o oferecimento. Não há necessidade e... eu não gasto... E porque ela não precisa desses negócios pífios. Vale inteiramente por si mesma, sem atavios nem arremedos mamários. É que quem quer busca, cata, como se diz na minha terra.
Portanto, sem falsas vergonhas, a impenitente hedonista languidamente esparramada em mim gosta de tudo nela, ou quase.
Já escrevi que gosto de tudo nela? Gosto de tudo, sim, ou quase.

Dri